Uma das viagens mais wtf de sempre
28/02/2010 | Category: Pessoal, Sociedade, Transportes Públicos | 13 Comments.
Após uma fantástica palestra intitulada “GPS e a Teoria da Relatividade“, realizada pelo nobre professor Paulo Crawford, que teve lugar na minha ilustre escola, decidi rumar ao lar para preparar o fim-de-semana da melhor forma. Apanhei, como sempre, a carreira 113 da Lisboa Transportes (Estação de Belém <–> Amadora), para me deslocar a casa.
Cinco minutos e duas paragens à frente começou o episódio que transformaria totalmente a viagem. Na paragem do centro comercial Alegro entram sempre muitas pessoas no autocarro, e hoje não foi excepção. Por entre o aglomerado humano que invadia o pesado de passageiros, surgiu uma senhora que mostrou o passe com pouca clareza, o que motivou o motorista a pedir-lhe que mostrasse o documento de novo. A senhora não vai de modas e esfrega o seu passe na cara do motorista. Este, indignado, dá-lhe uma palmada no braço de modo a que o deixasse de incomodar. A mulher, convicta de que tinha agido da melhor forma, começa a agredir veemente o tripulante, e na presença de resposta, gerou-se ali um enorme conflito em que mais passageiros tiveram de se envolver.
A viagem prosseguiu. A senhora, já sentada, continuava a barafustar com o motorista. O condutor, visivelmente irritado, fazia reflectir na direcção do veículo o seu tumultuoso estado de espírito. E é à boca de Alfragide que o inesperado acontece. O tripulante desvia a sua rota, entra na freguesia e dirige-se à esquadra!
A revolta popular instala-se. Os passageiros, cada um da melhor forma que sabe, expressa a sua indignação, porque está a ser incluído numa confusão da qual não pretendia fazer parte. Comentários ouvem-se vindos de todas as direcções. A pivot do caos manifesta-se mais agressivamente, provocando reacções consonantes nos outros passageiros. Cada vez mais atarantado, o motorista perde as estribeiras, pára no meio de uma movimentada rotunda e começa a violentar a buzina do autocarro.
Repentinamente saem da esquadra cerca de 15 agentes da autoridade, alertados, já armados e com os bastões em punho! Os heróis da segurança interrompem toda a circulação, cercam o autocarro e irrompem austeramente pela porta dianteira, procurando apaziguar o conflito. Apercebendo-se que a situação era de fácil resolução, recolheram algumas das tropas e ficaram mais uns minutos a resolver o problema. A senhora acabou por ser obrigada a abandonar o veículo, e lá prosseguimos viagem. No meio disto tudo, conheci uma simpática rapariga com quem ia mantendo algumas confissões e desabafos sobre o que se estava a passar. Ambos pensávamos que já tudo tinha acabado.

Mais de meia-hora corria sobre o sucedido inicialmente quando o veículo retomou a marcha normal. Agora surge-me um imprevisto inédito: um senhor idoso mira-me ferozmente, fazendo expressões sedutoras. Após uma troca de olhares auspiciosa, o velho começa a gesticular com a boca o seu número de telemóvel. Atónito e sempre simpático, pergunto-lhe sorrateiramente o que é que o levou a pensar que eu queria o número dele, ao que ele responde “Para conversarmos um bocadinho…“, fazendo um jogo de palavras e olhares persuasor. Começo a entrar em pânico (aka: adrenalina começa a ser bombeada para o meu aventurado sangue), porque me apercebo que estou a ser alvo de assédio. Depois de muito lhe negar as tentativas de contacto, o obsoleto homem tenta mais: escreve o seu número num bloco de notas, e por entre piscares de olho e gestos obscenos, manifesta a intenção de vir ter comigo, a fim de acabar com os 5 metros de distância entre nós. A minha forma de resolver o problema foi muito simples: antes de a confusão ter ido parar à esquadra operacional da polícia de Alfragide já tinha accionado o botão “STOP“, para o autocarro efectuar paragem no local onde costumo sair.
O trapo humano, pensando que também eu sairia na Amadora, não esperou que eu fosse o único passageiro a sair em Alfragide. E de forma dissimulada, enquanto me despedia da minha nova amiga, aproveitei o célere fechar de portas do autocarro para me pôr a milhas do velho. O nojo que me provocou o assédio é dificilmente descrito por palavras, mas tenho de concordar que foi inteligente da parte dele aproveitar-se do insólito conflito para explorar a fraqueza de uma eventual vítima.
Moral da história? Não dá para evitar confusões quando os intervenientes não querem saber da cordialidade e respeito. Quanto à última parte… Pedófilos há em todo o lado. No comboio, no autocarro, na própria casa, na escola. Na rua. Há que saber reagir quando alguma vez nos virmos forçados a enfrentar um destes “doentes”.
Nota: Esta viagem aconteceu na Sexta-Feira, a razão de estar a publicar este post hoje (Domingo, 00:30), prende-se com o facto de só o ter concluído no Sábado (embora a data de publicação o dê como publicado no Domingo).
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Tags: 113, alegro, alfragide, amadora, assédio, confusão, de, fotos, idoso, inconveniente, insólito, lisboa, mais, medo, mulher, negra, nojo, paragem, sempre, sexual, susto, transporte, velho, viagem, wtf.
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@faviouz
on February 28th, 2010Ri-me. Eu acho que me cagava a rir se um velho me fizesse isso. E realmente, que raio de viagem. Fiquei mesmo "WHAT THA FUCK!!!!!!". Não há muito mais a dizer. Simplesmente bizarro.
André Coroado
on February 28th, 2010Bem! Que viagem! Ninguém diria que, depois da conversa banal que tivemos na escola, após a conferência, tanta coisa aconteceria no singular autocarro 113. Insólito, realmente.
A situação da querela entre a senhora e o motorista parece-me simplesmente grotesca e deplorável. Não se percebe como é que um conflito tão anódino pode dar origem a uma tão grande entropia. Pelo que me contas, a senhora teve uma postura extremamente incorrecta do princípio ao fim do acontecimento. Além de não respeitar o profissional da Carris, revelou uma profunda incapacidade para analisar as situações e controlar os seus impulsos bélicos. O motorista, inicialmente ilibado de culpas, pecou por se envolver na briga e por tentar sobrepor os seus interesses aos dos restantes passageiros, uma vez que a presença da asquerosa mulher no autocarro não punha em risco a segurança dos ocupantes.
Quanto ao assédio, não deve ter sido nada agradável. Acho que tiveste uma boa reacção ao sucedido e soubeste dar a volta à situação. Se ele tivesse ido atrás de ti, julgo que também não terias problemas em correr, pois certamente terias uma melhor forma física do que ele. E quando acontecem estas coisas, acho que não podemos ter medo de pedir ajuda. A condenação da pedofilia é praticamente unânime na nossa sociedade (excluindo apenas os próprios pedófilos e os advogados seduzidos pelas avultadas quantias que lhes são oferecidas) e com toda a certeza encontrarias algum apoio nas pessoas à tua volta. Isto, claro, sem ter em conta o clima tenso em que o autocarro se deveria encontrar (não duvido).
Um post interessante, bem escrito e uma história inesquecível.
Alexandre Fernandes
on February 28th, 2010Que viagem!! :o
Tenho que admitir que me ri em algumas partes [não me consegui conter de riso xD]
Muito bem descrito e escrito! Os meus parabéns…
Gen Tribal
on February 28th, 2010E eu a pensar que me aconteciam coisas insólitas o.O
Também já me aconteceu uma cena (duas) semelhantes com pessoas assim >___> [se lá estivesse o homem ia desejar ter nascido mulher]
LVSITANO
on February 28th, 2010O que é certo é que quando te apercebes que estás "dentro" da situação não é fácil reagir a rir. Ainda o velho pensava que eu estava a achar piada a alinhava no jogo dele. ._.
Obrigado pelo comentário. ;o
@iijoao
on February 28th, 2010WTF! Mesmo. ou isto é uma história fruto da tua imaginação(que claro, não é o caso) ou a vida por aí é mesmo muito agitada, pois numa só viagem acontecerem esses insólitos, haha. Desculpa, mas não me consegui conter com a parte do velho. Se fosse eu, também ia ficar em estado de choque tipo paralisado, pois isso é algo que decerto nao esperamos que nos aconteça. E depois das duas uma, ou ficava tão chocado que o ignorava e pensava "isto não me está a acontecer", ou entao mandava-o po caralho. MAs é de facto estranho, isso. Até porque é um velho e este não tem fisico para forçar alguém, digo eu, logo fugir ou oferecer resistência caso ele te tocasse(vá, dar-lhe um valente soco) não seria problema. Se calhar os pedófilos não são assim tão incomuns quanto isso.
Marquinho, próxima posta: Reflexão sobre se os pedófilos tem deficiências mentais. XD
LVSITANO
on March 1st, 2010Pois foi, também não imaginei que algo de tão insólito pudesse acontecer após a nossa agradável conversa.
Sim, na minha modesta opinião, a culpa de toda a situação é da senhora que não soube manter a calma ao mostrar o passe de novo ao motorista (pequena nota: era da Lisboa Transportes, não da Carris).
Se o senhor tivesse vindo atrás de mim, imobilizava-o. Ou seja, dar-lhe uma tareia não era capaz sobretudo porque se tratava de um velho. Mas atirá-lo-ia ao chão e fá-lo-ia ver que se me voltasse a querer contactar, a nossa próxima "sessão" era na Polícia Judiciária.
Obrigado pelo comentário!
LVSITANO
on March 1st, 2010Obrigado! :)
LVSITANO
on March 1st, 2010Deixa lá, não é só a ti. Já agora, vai um post sobre as tuas situações insólitas um dia destes? ;o
Gen Tribal
on March 1st, 2010Não sei se tenho coragem, já te contei uma, e a outra não sei, mas a que te contei não me dá grande vontade nem de me lembrar dela…
LVSITANO
on March 2nd, 2010Ah, já me lembro de uma delas. Foi num carro, rite? A outra ainda não me contaste, mas claro que irás ter coragem um dia. o_o
LVSITANO
on March 2nd, 2010Eheheh… XD
Eles não têm físico para forçar jovens a fazerem sexo com eles. Têm é dinheiro e acho que é por aí que conseguem obter umas diversões de vez em quando. Aliciam pessoal novo em zonas públicas, abanam umas notas, e está feito.
Os pedófilos são mais comuns do que as pessoas podem pensar, sem dúvida.
Não seria capaz de lhe bater, porque em todo o caso trata-se de um idoso e eu tenho um grande respeito por pessoas mais velhas. Quanto muito, metia-o no chão (com uma rasteira ou algo parecido) e ameaçava-o com a polícia se ele viesse atrás de mim.
@iijoao
on March 3rd, 2010Só merece o nosso respeito quem nos respeita. E um pedófilo não é para ser respeitado, tal como um criminoso, ao ponto de não se lhe bater caso este seja apanhado a tentar roubar, ou, neste caso, a seduzir rapazes indefesos.XD
E como é que o punhas no chão, sem lhe bater? Se ele te tivesse a agarrar, era um pouco dificil…
Beijos e olhares sedutores,
O Velho do Comboio