Hoje em Português estivemos a falar do Romantismo. Fizemos o enquadramento histórico dessa corrente literária e falámos acerca do romântico (não é aquele que organiza jantares à luz das velas). Romântico é o indivíduo que é incompreendido, anda à procura do infinito, do amor supremo, da justiça, da verdade e da beleza.
É excessivo, fatal, solitário, dominado pelas suas emoções e contesta as regras da sociedade. É simultaneamente sublime e grotesco, daí não ser facilmente definido. No caso de obras literárias, o romântico transfere para a sua obra as suas raivas e desejos, fazendo dela a sua realização imaginária.
A sua paisagem imaginária (local imaginário de eleição) é tumultuosa, agreste e sombria, povoada por animais selvagens e noctívagos. Está associada a estados de alma e é capaz de provocar sensações violentas. No campo do amor, o romântico mantém a sua via de fatalidade (ler nota sobre fatalidade no fim), acreditando que tudo o que quer realizar está demasiado longe, tornando-o impossível de alcançar.
Não vou estar a descrever mais características do romântico, se não este artigo seria a nossa aula de Português de hoje. Enquanto lia estas e outras características no acetato que a professora projectava, sentia-me parcialmente compreendido. Alguém estava a conseguir descrever na perfeição aquilo que de mais emocional há em mim. Aquilo que sou.
Houve fases na minha vida em que me perguntava o porquê da disparidade dos meus sentimentos e emoções. Sentia que eu era várias pessoas ao mesmo tempo, que se faziam mostrar e sentir consoante as condições. Confortei-me e convenci-me da minha conclusão: era um indíviduo heterogéneo e com uma excelente capacidade de adaptação aos outros; leia-se, que me dou bem com toda a gente.
De facto, isso era verdade. Uns tempos mais tarde pensei: ser várias pessoas não é positivo, aliás, é ser incoerente. Poderia estar a oferecer às pessoas diferentes experiências de mim próprio. Poderia estar a ser x para uma pessoa e y para outra. Uma completa indefinição, isso sim. Aí tentei idealizar, através do que via e do que experimentava, construir uma personalidade e sê-la, mas não deu grande resultado. O modelo da minha personalidade era alguém racional, que ignorasse as suas emoções, que mantivesse uma postura, que não fosse frágil e que transmitisse segurança às pessoas. Claro que eu conseguiria atingir este estado se me esforçasse muito, mas cheguei à conclusão que isso seria estar a colocar de lado as minhas emoções e estaria apenas a ser racional.
Ser racional é o oposto de ser emocional, eu percebi isso. Então cheguei à conclusão que ser racional não é o melhor; racionais todos podemos ser se tivermos forte poder de argumentação, não cairmos em falácias e se soubermos pensar por nós próprios. Emocionais também é fácil ser, mas a dimensão altera-se completamente, pois cada um tem emoções diferentes, pensa na sua metafísica de forma distinta e olha o mundo de ângulos ainda mais díspares.
Assim, dou como um personalidade mais ajustada aquela que consiga ser racional quando for necessário e emocional quando deve. As emoções são demasiado subjectivas para não ser expressas, ou seja, configuram um universo heterogéneo de sentimentos que devem ser manifestados para haver mais variedade nas relações sociais. Ser demasiado racional é ser demasiado frio, consciente, prudente. Ser emocional é ser mais aventureiro, arriscado, verdadeiro.
Só me posso sentir bem comigo próprio quando exprimir quem eu realmente sou (os românticos também dão ênfase ao eu interior – isso não é ser egocentrista, é ser instrospectivo). Até isso acontecer vai um longo e duro trabalho de amadurecimento; maturação esta que vai ensinar-me quando ser emocional e quando ser racional.
Este blog tem seguido um caminho demasiado racional e de certa forma sobranceiro (obrigado pela palavra exótica, Jorge), o que não era de todo a minha intenção, pois não é assim que me sinto. Se alguma vez pareci arrogante, peço desculpa, e por certo induzi alguém em erro. Quem me conhece sabe que sou o oposto: pouco confiante, um bocado anti-social (ou complexidade em socializar) e bastante mutável a novas ideias.
A partir de agora quero mudar um pouco o caminho. Quero ser racional e emocional nas devidas quantidades (ainda estou a tentar perceber que quantidades são essas) sem descurar dos meus artigos de opinião, nomeadamente sobre os preconceitos e trending topics da sociedade em geral. Ocasionalmente postarei histórias mais pessoais e emotivas, daquelas que só se partilham com o melhor amigo ou amiga (como eu não tenho, partilho com este mundo).
NOTA [fatalidade]: Sou o perfeito exemplo da fatalidade. Já os românticos do tempo histórico correspondente partilhavam as suas adversas paixões por mulheres. A minha enorme fatalidade reside no facto de eu me ter apaixonado por um rapaz (choque generalizado), o que torna a paixão e o amor ainda mais impossíveis de concretizar.
Ironicamente deixo aqui o desafio: algum romântico consegue ser mais fatalista que isto?
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Ironicamente deixo aqui o desafio: algum romântico consegue ser mais fatalista que isto?
Eu, queres que conte a história da minha vida? Acho que a sabes bem, e o teu caso de amor não é assim tão diferente do meu. Eu simplesmente fui recusado duas vezes. Para não falar de toda a minha infância, que dava para uma enciclopédia sobre emoções.
Quanto ao Romantismo, sabes o que é o Romantismo levado ao extremo? O Ultra Romantismo, o estilo em que eu escrevo. Por falar nisso, escrevi um poema novo, se descobrires a mensagem secreta dou-te algo especial.
Entrada profunda, gostei bastante
Tu és uma excepção… A tua história de vida não tem precedentes e é demasiado única para ser sequer comparada. Gostei muito dos novos textos, mais tarde comentarei.
Obrigado pelo comentário. :)
PS: Sim, eu sei. Calma, estou a testar vários plugins para conseguir um efeito porreiro. Este tem erros.
EDIT: Finalmente um plugin em condições.
[...] poema – Estilo Romântico 13 13UTC Novembro 13UTC 2009 — Gen Em resposta a esta Entrada e a este comentário, decidi provar o meu valor cumprindo estes dois requisitos. Curiosamente a [...]
Respondi ao teu comentário aqui.
O Widget do possivelmente relacionado sucka…
Acho que tens toda a razão! Devemos saber quando devemos ser racionais e quando devemos ser emocionais. Por vezes sou mais emocional do que racional. Os meus pais dizem-me que tenho o coração na boca!
Esta semana na aula de matemática, a minha professora estava a ler uma noticia que vinha no jornal e dizia o seguinte: “PSD dá Luz verde ao casamento gay” e um dos meus colegas, mais capitalistas e tão irritante (completamente estúpido, quase desprovido de uma mínima inteligência) disse com uma grande arrogância ” Já vou sair do PSD!”. Aquilo caiu-me extremamente mal e comecei a barafustar sem dó nem piedade. Resultado: ficou tudo a olhar para mim.
Normalmente não me costumo exaltar daquela maneira nas aulas, mas aquele comentário pôs-me fora de mim!
Concluindo, é muito difícil saber quando devemos agir racionalmente e emocionalmente. Acho que nunca iremos reagir correctamente perante certas circunstâncias.
Essa exaltação é um bocado estranha, só vejo essa reacção possível a quem fizer parte do grupo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) dado que o assunto lhes/nos toca directamente. Eu nunca me exaltei com esse tipo de bocas sobre os LGBT pois as mesmas são um pão nosso de cada dia.
Claro que sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, afinal essa é uma luta de todos os liberais e o esforço para obter a igualdade de direitos é um combate que deve ser de todos.
É difícil obter esse equilíbrio racional/emocional, mas não é impossível. Com o tempo chega-se lá. :)
Obrigado pelo comentário.
O assunto toca-me pois tenho amigos que são! Eu não sou… Não compreendo como pode haver pessoas da nossa idade que não aceitam outro tipo de sexualidade. Enfim…
Espero algum dia vir a ter esse equilibrio emocional/racional. =)