[Aviso: entenda-se o texto abaixo como uma brincadeira]

Uma inquietação súbita apoderou-se do meu sistema circulatório. De repente, sem que nada o fizesse prever, a minha retina recebe os reflexos luminosos provenientes das partículas do teu corpo. Vejo-te. A sublimidade dos fotões denuncia as absorções coloridas das tuas grandiosas vestes, apresentando-te como uma excêntrica fêmea capaz de gerar descentes férteis.

Logo percebi que queria copular contigo, unir em ti os nossos aparelhos genitais e torná-los num só, nessa harmoniosa concepção de vida. A ideia de reduzir a distância centimétrica entre nós despoletava em mim uma série de reacções hormonais estrondosas nas entranhas da minha hipófise. Nem tu imaginas como fizeste os meus impulsos nervosos atropelarem-se, como se não houvesse bainha de mielina suficiente.

Oh sim, até o astro que centra o Sistema Solar sai ofuscado com a tua beleza inexplicável. Esqueçam-se as maiores erupções vulcânicas e o aglomerado massivo aquático que atingiu Lisboa em 1775, nada se compara à majestosa libertação de energia que confere ao teu maciço físico o poder de me subjugar. Pois que seja! Deixa-me penetrar nesse nesse teu ventre, sementear nele a matéria-prima da fecundação e levar-te ao culminar das contracções maternais. Mas sei que tudo isto não passa de uma experiência de imaginação do inconsciente, como Freud bem descreveu. E depois de recuperar para a realidade só me apetece que o coração pare, ou que a resultante das forças no meu corpo seja de um valor enormesco o suficiente para me projectar para… o teu impossível mundo.

Off: Eu prometi a mim mesmo que um dia ia fazer uma farra com isto. Não é um insulto ao Romantismo nem ao Realismo/Naturalismo nem nada que se pareça. Apenas quis ver o quão estúpido parece misturar a Ciência com os sentimentos neste sentido. Espero que tenha ficado mau o suficiente.

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  1. Gen Tribal
    on February 16th, 2010

    Desculpa, mas simplesmente não consigo ler isto até ao fim… ; _ ;

  2. Rita Castro
    on February 16th, 2010

    Eu li até ao fim, e fiquei tipo WTF?! No inicio pensei que era a sério mas depois vi que estavas a goazar. No final deu para rir! xD

  3. André Coroado
    on February 18th, 2010

    HA HA HA! Muito engraçado. Gosto deste tipo de misturas: fica esquisito e repulsivo, mas tem muita piada. Em suma, foi uma iniciativa divertida e muito interessante da tua parte.

    Só um ou outro pormenor: há vários momentos em que passas da caracterização científica da paixão à expressão literária. Entendo este facto como uma fuga involuntária ao carácter grotesco do sentimentalismo científico e uma tentativa inconsciente de tornar o texto mais legível para o leitor. Passagens como "nessa harmoniosa concepção de vida" e "até o astro (…) sai ofuscado com a tua beleza inexplicável" denotam uma inspiração poética que não conseguiste refrear. Tanto melhor!

    Uma posta diferente, mas nem por isso menos interessante!

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