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A questão que intitula o post continua a servir de mote para argumentos ad ignorantiam contra o recurso aos transportes públicos nas deslocações diárias.

Actualmente, há algum preconceito e medo em utilizar, por exemplo, os autocarros. Sendo um apologista e passageiro diário de vários transportes públicos, sinto-me na obrigação de esclarecer e ‘limpar’ os pensamentos dos leitores

Resumidamente, vou ilustrar-vos as grandiosas vantagens de utilizar os transportes públicos nas cidades que oferecem esta possibilidade:

  • Recorrer aos transportes públicos constitui uma atitude amiga do ambiente.

Se tomarmos em conta que, em média, um carro particular apenas transporta uma ou duas pessoas por deslocação, e possui uma potência de aproximadamente 90 cavalos, rapidamente nos apercebemos que a poluição (se extrapolarmos para as dezenas de milhares de carros que entram e saem todos os dias das cidades) é imensa.

Um autocarro tem, em média, 300 cavalos de potência, conseguindo facilmente transportar 50 pessoas (35 sentadas, 15 em pé). As emissões poluentes que realiza, comparadas às de 40/45 carros que seriam utilizados se essas 50 pessoas se deslocassem em viatura particular, são muito inferiores.

Estudos de 2009 demonstram que um passageiro de um autocarro emite, por quilómetro, 30 gramas de CO2 para a atmosfera. Um passageiro numa viatura particular emite, por quilómetro, 150 gramas de CO2 para a atmosfera!

  • Recorrer aos transportes públicos evita o congestionamento de automovéis nas entradas e saídas das cidades.

Um autocarro cheio (50 pessoas confortavelmente colocadas) consegue tirar mais de 30 automóveis das estradas. Os ganhos ambientais são óbvios, além da perceptível vantagem da maior fluência de trânsito nas vias afectadas.

(autocarro articulado: menos frequentes, mas com capacidade para mais de 100 passageiros)

Já o comboio e o metropolitano, além de não ocuparem espaço à superfície, conseguem transportar mais de 1000 passageiros numa composição, e são bastante frequentes (5 em 5 minutos novas composições, em hora de ponta).

  • Recorrer aos transportes públicos pode ser divertido.

Sendo os transportes públicos uma forma de deslocação colectiva, além da possibilidade de conhecer novas pessoas, é fácil fazer viagens em grupos (colegas da escola, do trabalho, amigos, etc), o que torna as deslocações mais interessantes e proveitosas. Para quem viaja sozinho, é também possível ouvir música num leitor de MP3, ler uma revista ou um livro, enquanto se aprecia melhor a paisagem envolvente e os contornos da cidade.

  • Recorrer aos transportes públicos contribui para uma vida mais activa.

Porque nem sempre há paragens de autocarro ou estações ferroviárias à porta, é necessário caminhar até chegarmos a uma artéria com boa variedade de transportes públicos. Dessa forma, combate-se o sedentarismo e o comodismo associados ao automóvel. Se forem como eu, então todos os dias é uma corrida para apanhar o autocarro a horas, uma vez que me demoro e chego sempre no limite de saída da minha carreira!

  • Recorrer aos transportes públicos liberta espaço para outro tipo de áreas na cidade.

Hoje em dia, milhares de quilómetros quadrados em todas as cidades estão reservados para construir parques de estacionamento automóveis. Se a população em massa aderir aos transportes públicos colectivos, esses parques poderiam transformar-se em áreas verdes e os autocarros ganhariam mais corredores citadinos próprios nas grandes avenidas.

Ao contrário do que as pessoas pensam, andar de transportes públicos não tem muitas desvantagens. De facto, são muitas mais as vantagens, e é por isso que pretendo esclarecer alguns pontos.

  • Recorrer aos transportes públicos pode prolongar a deslocação.

Salvo raras excepções, nas grandes cidades, a ligação entre dois pontos A e B pode ser feita de várias formas através dos transportes públicos. Se tal não for mesmo possível, e a deslocação demora muito tempo (por exemplo, mais de uma hora), então a utilização de viatura particular é um caso a ponderar.

  • Recorrer aos transportes públicos pode ser desagradável.

Andar de autocarro, metro ou comboio só é desagradável quando algum passageiro não manifesta comportamentos de carácter cívico. Por exemplo, por vezes há passageiros que colocam a sua música em altifalante e todo o autocarro passa a “desfrutar” do que o autor do ruído está a ouvir, o que é incomodativo. Também há situações em que pode haver um passageiro ou outro com um cheiro menos agradável, o que seria de evitar.

No entanto, devo lembrar que estes acontecimentos são raros e fazem parte do domínio das excepções. Naturalmente, o civismo obtém-se através da boa educação e de uma formação adequada, pelo que é perfeitamente possível anular estes comportamentos.

Por outro lado, nas horas de ponta, pode acontecer que o autocarro/comboio/metro venha muito cheio, o que não facilita nem a entrada nem a viagem. Mas, como nos outros casos, com o hábito o passageiro vai adoptando estratégias que permitam uma deslocação eficaz e confortável.

  • Recorrer aos transportes públicos obriga a horários.

Todos os meios de transporte públicos se regulam por horários de início e fim de carreira. Naturalmente que o passageiro se deve adaptar aos horários do seu transporte para o poder utilizar com facilidade, o que é fácil e se adquire com o tempo.

  • Recorrer aos transportes públicos nem sempre é viável.

Claro que não. Se se quiser ir fazer compras ao hiper-mercado, por exemplo, ou ir efectuar uma visita empresarial, a deslocação em transportes públicos não é, como se deve calcular, viável. Como são situações pouco frequentes na semana laboral do trabalhador regular, aqui admite-se o uso de um transporte privado.

Conclusão

Hoje em dia, e falando pela minha experiência na área da Grande Lisboa, é um erro cívico não haver mais pessoas a deslocar-se em transportes públicos. Antes de criticar a melhor forma de deslocação, pensem que os transportes públicos só poderão melhorar e evoluir se houver mais e melhores passageiros. Não é o «transporte dos pobres», é o comportamento mais inteligente.

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  1. André Coroado
    on March 26th, 2010

    Bem! Que grande post! Mais uma vez consegues bombardear o leitor com a tua profunda paixão pelos transportes públicos, e desta vez fazes uma abordagem muito completa do assunto, ponderando os prós e os contras da questão.

    Gostei muito de ler o artigo, pois a vivacidade que consegues conferir ao texto (apesar do seu carácter argumentativo e racional) tem muito poder e cativa os leitores menos interessados no tema. O teu entusiasmo é contagiante, produzindo um impacto muito eficaz no leitor, tomado por um súbito sentimento de civismo e um potente desejo de frequentar os transportes públicos. Imagino que essa tenha sido a principal finalidade do post, por isso, estás de parabéns!

    Como sabes, não sou propriamente um utilizador de transportes públicos. No entanto, de vez em quando, fruto das necessidades ocasionais, sou obrigado a recorrer a estes meios de transporte. Qual a minha reacção? Procuro desfrutar de uma experiência que não tenho todos os dias mas que em muito contribui para a minha alegria e divertimento no instante (não, não estou a dar graxa).

    Andar de transporte públicos, mais concretamente, de autocarro, é para mim uma fuga à rotina, uma oportunidade para variar a forma de viajar e deitar um olhar diferente à paisagem com a qual contacto todos os dias. O meu lugar preferido é aquele em que viajamos virados para trás, observando os objectos em redor afastando-se, cada vez mais longe, como um sopro de amor não correspondido que procuramos agarrar desesperadamente…

    Costumo utilizar o 23 da Carris para efectuar o trajecto entre Algés e o Restelo (Avenida das Descobertas) e realizo o resto do percurso (de casa à praça de transportes públicos de Algés) a pé, que também representa um momento muito interessante, do qual tento usufruir ao máximo. Simplesmente, o carro é mais prático na medida em que poupa tempo, ao descrever o caminho mais curto, directamente, sem desvios, e não necessitar de um tempo de espera variável.

    Bem, nada a dizer de todos os pontos que focaste no teu post. Estão perfeitamente explicados, nada pode ser acrescentado ou modificado. A componente ambiental é aquela que mais me faz reconhecer a preponderância dos transportes públicos, muito embora as minhas acções diárias não o reflictam. Acredita, sou várias vezes assolado por este tipo de contradições, e sempre que discuto o assunto contigo sinto aquele arrependimento culpado, mas improfícuo, de quem sabe que está a agir incorrectamente, mas continua. Em todo o caso, lá vou fazendo os meus progressos…

    Enfim, o comentário já vai longo e não há muito mais a acrescentar. Já agora, queria dizer que os dados estatísticos que divulgaste (acerca da poluição) são interessantes e foram algo que retive na minha memória, conservado em latência.

    Mais uma coisa: cortaste o cabelo? A sério!?!?!?!?!?!?!? Jogada estratégica, portanto: cortas duas semanas antes do início das aulas para lhe dar algum tempo para crescer e atenuar o efeito da tesourada… Quero ver isso, pá!

    Bem, resta-me desejar boas férias, com votos de muito descanso e diversão, para no 3º período colocares um ponto final a essa onda de diletantismo que te invade desde… desde… desde… desde que te conheci? (estou a brincar!)

  2. faviouz
    on March 26th, 2010

    Ora, não sei se quero utilizar um autocarro, sabendo o que te aconteceu da última vez. Confusões no autocarro e pedófilos não é coisa que me agrade.

    Agora a sério, eu pessoalmente não tenho necessidade de utlizar um. Tenho tudo o que preciso ao pé de mim, incluíndo restaurantes, super-mercados, centro médico, 4 estabelecimentos de ensino, o cabeleireiro e a piscina municipal! Tudo a menos de 5mins a pé. O cabeleireiro, restaurante e super-mercado estão mesmo encostados.

    Talvez me veja a utilizar o autocarro quando for para a Universidade, e que mesmo assim, fica a 5mins de carro. Não é algo que me assuste, mas que simplesmente não me seja útil de momento.

    Algo que gostei na posta foi esta imagem: http://tinyurl.com/ya865o5, muito interessante e faz todo o sentido.

  3. Alexandre Fernandes
    on March 27th, 2010

    Que post! Há vantagens e desvantagens, como em tudo! ;)

  4. @iijoao
    on March 29th, 2010

    Não venho acrescentar nada, simplesmente está tudo dito. Sou completamente a favor do uso de transportes públicos em detrimento de automóvel salvo nas excepções que muito bem explicaste. Porém, apesar de ser a favor dos autocarros, não os uso…ando a pé =) O que é ainda melhor e viável para quem não vive em grandes cidades como Lisboa, Porto, Coimbra etc…

    E parabéns por te estenderes tanto num assunto que deveria ser do senso comum, é óbvio que é mais rentável e cívico usar transportes públicos.

  5. Joao Almeida
    on August 8th, 2010

    Adoro usar Transportes Públicos … estou farto de andar sempre de carro … uso metro, autocarro, o próprio pé para todo o lado com os meus amigos … É também uma boa maneira de passar mais tempo com os amigos :D

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