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Horus OogA frase que intitula esta posta foi proferida por Gandhi, o pacífico conhecido pelo seu princípio de não-agressão.

Um bocado como complemento à minha posta anterior, sobre a agressão a Berlusconi, hoje vou dar a minha opinião sobre a violência.

A máxima do “olho por olho, dente por dente” deriva da lei de talião. A lei de talião (do latim “Lex Talionis”1), uma das mais antigas leis que se conhecem2 , estabelece uma rigorosa reciprocidade entre o crime cometido e a pena recebida. Era o Estado que fazia cumprir a pena, estando a vítima proíbida de o fazer. Assim, se o agressor (criminoso) arrancasse um dente à vítima, o Estado arrancaria também um dente ao agressor. Contudo, a lei diferenciava os estratos sociais: se um homem nobre agredisse um escravo, o nobre não teria pena por isso.

Essa lei foi onde começou toda a História do Direito, história que ainda está a ser escrita, como todos sabemos.

Esta lei do «olho por olho» é muito antiga. É um facto. Isso explica muita coisa quanto à sua génese, mas posso concordar com o princípio de igualdade (até certo ponto) entre crime e pena, embora dessa lei saia infeliz a descriminação das classes sociais. Atendendo à minha concepção da vida em sociedade, uma cidade em que os habitantes vivam neste regime de retaliação não pode ser uma cidade feliz.

Se um indivíduo agride outro e o agredido responde da mesma forma, está a repetir a atitude que tanto condena; pior ainda, está a fazer a outra pessoa o que não gostou que lhe tivessem feito. Este tipo de atitudes não leva a paz nenhuma, pelo contrário, estimula a violência, pois todos os indivíduos pensarão e actuarão segundo a máxima de que, para descontar o que lhes fizeram, têm de fazer o mesmo a outros. Isto inclui violência e violações, por exemplo.

Imaginemos uma criança que foi violada na sua infância pelo seu pai. O que seria mais correcto, que essa criança pegasse na sua horrível experiência e que, por esse motivo, não fizesse o mesmo aos outros? Ou que, porque lho fizeram e não gostou, deve fazer outras pessoas sentirem o mesmo? Em que é que esta última medida ajuda a criar paz, amor, e um mundo melhor?

Porque é que se pensa que o equilíbrio de um conflito é obtido através da injecção de mais conflito? E agora entro em pura lógica: uma pessoa agride outra (entra violência), como se atinge o equilíbrio? Inserindo paz, isto é, um diálogo calmo para apaziguar e esclarecer o conflito. Respondendo da mesma forma, com violência, fará com que a balança fique mais desigual. E o pior da violência é que quanto maior é a recorrência, maior é a gravidade.

Se formos pegar na máxima que enunciei no início da posta: um homem arranca um olho a outro. Então, a vítima arranca um olho ao agressor. E já temos duas pessoas a ver só com um olho. Agora prolonguemos os acontecimentos e analisemos: se o agressor voltar a arrancar um olho a alguém, ficará sem o único que lhe resta. E cumprindo este procedimento cego de retaliação equitativa, não é difícil de imaginar que rapidamente o mundo ficaria (literalmente) cego, dado o número de acontecimentos diários que gostamos menos (desde insultos verbais a agressões físicas, passando pela “porrada” psicológica…).

Concluo esta posta dizendo que é com tristeza que vejo que grande parte do mundo vive neste clima. “Vocês lixaram-me, eu lixo-vos também!”, até um ponto em que estamos todos lixados. O Estado existe para aplicar Justiça, mas de forma diferente. Quando há ocorrência de um crime comprovado, o criminoso é levado a cumprir uma pena diferente do crime que cometeu, com o intuito de o corrigir e impedir que cometa outros crimes. Assim aumenta-se a segurança e diminui-se a criminalidade.

A violência não é o caminho. E há algo que aprovo no Cristianismo: “Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem.”, simples de perceber, fácil de executar e com grandes benefícios a nível global. Assim evitava-se o problema da violência desde o seu princípio: não teria de haver retaliações porque nunca haveria agressões.

PS: Hoje houve mais um acidente em Alfragide…

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  1. lex: lei, talionis: tal, parelho
  2. remonta a 1730 antes de Cristo
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  1. @pedrofrpereira
    on December 17th, 2009

    faviouz, esse comentário, penso eu, foi desnecessário. O mais importante nos textos de reflexão, é, definitivamente, o conteúdo (e não inutilidades). Assim, o conteúdo parte das ideias, que partem de pensamentos (ou vice-versa, whatever). e o grande mérito do Marco tem sido a perfeita conjugação entre as suas ideias e a materialização das mesmas.
    por último, sem querer ofender, penso que esse preconceito do tamanho (preconceito porque ainda nao leste o texto), parece-me um dos efeitos nefastos do twitter. nem tudo se consegue dizer em 140 , 200, 300, 1000 caracteres.
    as ideias precisam de espaço. as ideias merecem espaço.

  2. @faviouz
    on December 16th, 2009

    Tiras muitas fotos tu. BTW não li nada do post. Esse olho do egipto e a posta grande cheira-me a "BORING". Gosto da tua maneira de escrever e tal, mas reduz menos nos teus pensamentos e mais em conteúdo.

  3. LVSITANO
    on December 17th, 2009

    Compreendo que aches "BORING", mas é uma questão de gostos e prioridades. Se não quiseste ler, compreendo isso. Não percebi tão bem foi a tua sugestão. "Reduz menos"? Querias dizer para reduzir nos pensamentos e aumentar no conteúdo?

  4. Genome
    on December 17th, 2009

    Acho que é ao contrário '^^

    Reduz o conteúdo, compacta as tuas ideias. Torna-se muito mais fácil ler.

    Já to tinha dito antes, andas a escrever como quem quer impressionar alguém.

    Apenas… sê tu próprio…

  5. Genome
    on December 17th, 2009

    ««E há algo que aprovo no Cristianismo: “Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem.”»» Isto aprendes quando estás a crescer, são regras de boa educação. Não é algo do cristianismo. Isto aplica-se a tudo na vida.

    Quanto ao texto, eu estou de acordo com quase tudo também, no entanto, há coisas que o diálogo só por si não resolve. Por muito que se queira… (não estou a dizer, note-se, que a violência nestes casos é o indicado, mas há sempre alternativas).

  6. LVSITANO
    on December 17th, 2009

    Sim, mas às vezes é difícil quando há muito a dizer…

    "Já to tinha dito antes, andas a escrever como quem quer impressionar alguém." –» Isso é que não é verdade. Eu estou a ser eu próprio. Só que "eu próprio" tem momentos de racionalidade e de emocionalidade. E tem momentos de reflexão e pensamento, que é o que fiz nesta posta. Continuo sem perceber o que queres dizer com isto. Eu escrevo o que me vai na alma…

  7. LVSITANO
    on December 17th, 2009

    «"Não faça aos outros, aquilo que voce não quer que eles façam a você", é a máxima chinesa conhecida como Regra de Ouro do Confucionismo. A solidariedade e a educação são os grandes ideais buscados por essa filosofia, e em Confúcio está o maior exemplo dessas virtudes.» – retirado da Wikipédia.

    Li em qualquer lado que vinha do Cristianismo, mas parece que não era verdade. Sorry. E sim, há coisas que o diálogo não resolve, aí também tens razão…

  8. LVSITANO
    on December 17th, 2009

    «"Não faça aos outros, aquilo que voce não quer que eles façam a você", é a máxima chinesa conhecida como Regra de Ouro do Confucionismo. A solidariedade e a educação são os grandes ideais buscados por essa filosofia, e em Confúcio está o maior exemplo dessas virtudes.» – retirado da Wikipédia.

    Li em qualquer lado que vinha do Cristianismo, mas parece que não era verdade. Sorry. E sim, há coisas que o diálogo não resolve, aí também tens razão…

  9. @faviouz
    on December 17th, 2009

    Uma pequena nota, estava a falar em termos de webmastering e possivelmente marketing (?). Já li vários guias, pdf e vídeos sobre a blogosfera, SEO e afins. Regra geral é que tem de haver conteúdo interessante para o público-alvo. Pergunto-me se definiste o teu público-alvo? Sendo um blog pessoal, blog esse de qualidade (mas em alguns posts de certa maneira, too much crap), assumo que não te tenhas preocupado com essas coisas. Mas se queres manter o grande número de leitores que actualmente tens, há que os cativar com brincadeiras, posts curtos mas interessantes, notícias e links de qualidade. E de vez em quando uma prendinha para os leitores (downloads, colecção de fotos, etc).

    Porque gramaticamente aposto que não encontrarei nenhum erro, excelentes construcções frásicas, etc. Pessoalmente acho este tipo de comentários muito úteis, Pedro, não desnecessários. Sem a opinião dos outros não consegues desenvolver um projecto e agradar a todos. Quem me dera eu, no meu futuro, e novo, blog ter este tipo de ajuda (ou melhor, de preferência não ter, sinal que está tudo OK e é interessante etc.)

    Mas bom, sem querer estragar-te o "negócio" Marquinho, sorry por alguma inconveniência.

  10. Genome
    on December 17th, 2009

    Bah, a tua alma às vezes parece que faz um checkup no cérebro antes de postar então…

    Eu gosto mais quando escreves mais relaxado e mais simples :)

  11. Genome
    on December 17th, 2009

    Não deves pedir desculpa por o professor ser mau, apenas sabes o que aprendes. Se aprendas coisas mal, só podes saber mal…

    E chineses =/////////////////////////////= cristianismo xD

  12. @pedrofrpereira
    on December 17th, 2009

    desculpa a minha entrada abrupta "desnecessário", mas escrevi-o, porque fiquei mesmo com a sensação de que o comentário tinha sido destrutivo. as minhas desculpas, mais uma vez.
    aqui, a questão que se coloca é: será que o Marco escreve para os outros (ter boa audiência e muitos leitores online) ou escreve para se sentir bem? Provavelmente, os dois – mas mais do que "marketingzar" este espaço, deve mantê-lo genuíno, portanto, agora com mais ponderação: respeito a opinião mas nao concordo muito..

  13. LVSITANO
    on December 18th, 2009

    @ faviouz:

    Como disseste e bem, este é um blog pessoal. À partida o público-alvo está definido: pessoas que pesquisem por algum tema e o encontrem abordado aqui, ou pessoas que me conhecem e gostam/têm curiosidade em ler o que escrevo. Se achas que muitos posts são "crap", então este não é o blog que queres ler, certo? Se tenho um grande número de leitores (e ainda bem) e eles se têm mantido, eu gosto de pensar que isso seja por causa da qualidade das postas que faço e não de outros artifícios que possam haver aqui ou ali na sidebar.

    Notícias, já toda a gente lê na internet, quer em blogs dedicados a isso ou mesmo na televisão. Downloads, de vez em quando forneço (mas de coisas que gosto: ex, o novo CD dos Rammstein) e as "fotos" (querias dizer wallpapers?) também tiro com frequência.

    Eu não queria cativar os leitores com esse tipo de coisas "só porque sim", mas como complemento ao que escrevo (isso é que está aqui em foco). Eu sei de todas as coisas geek que aí falaste e em termos de SEO o blog está preparado desde o início. Agradeço as tuas sugestões mas, de facto, sendo este um blog pessoal, não tenho interesse em agradar a todos (se possível, ainda melhor) e marketingzar este espaço. ;)

    @pedrofrpereira:

    É exactamente o que disseste, Pedro. Se me estivesse a esforçar para agradar a todos os leitores, deixaria de manter o blog genuíno.

    Obrigado aos dois pelos comentários. :)

  14. @faviouz
    on December 18th, 2009

    Eu só queria mesmo ver o teu blog mais generalizado, acho-o muito bom, mas de vez em quando trocar os teus pensamentos e essas coisas filosóficas que admiro bastante, por algo mais simples que agrade tanto aos leitores leitores como aos não-leitores (quando digo leitores, digo alguém que segue o blog, comenta as postas e participa).

    Podias por exemplo aproveitar a época natalícia e fazer umas postas com recursos ou outras coisas, umas fotos e wallpapers de natal, etc.

  15. LVSITANO
    on December 18th, 2009

    Eu fiz isso com o Halloween, remember? Também estou a pensar fazer para o Natal, mas ainda tenho que reunir material. Obrigado pelas sugestões. ;)

  16. Custo total da guerra » LVSITANO.net
    on January 7th, 2010

    [...] Hoje venho apresentar um website que acabei de descobrir. Não vou dizer que é interessante, porque disso não tem nada; é sobre os custos totais das guerras que os Estados Unidos da América encabeçam tão orgulhosamente. É uma mer(d)a (de) curiosidade, mas que dá para estimar mais ou menos os custos absurdos que um só país se obriga a fazer à custa da filosofia milenar do “olho por olho, dente por dente“. [...]

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