O Natal deixou de ter sentido para mim.

Em criança, todo o mês de Dezembro era passado numa constante vigília, de volta da árvore e de todos os adereços natalícios, a tentar arranjar tudo da melhor forma possível para preparar ao máximo melhor dia do ano.

Sentia aquele carinho que pairava no ar, até uma certa ansiedade por saber o que traria o Pai Natal, o que mais tarde se tornou num “que será que os pais prepararam para mim desta vez?” Há 3 anos, desde que a minha mãe ficou sozinha de novo (infelizmente a relação com o seu companheiro, que era uma pessoa fantástica e das melhores que conheci na vida, terminou) e que o meu avô faleceu, isso deixou de ser o mesmo. Desde então que os jantares de Natal não juntam as famílias (porque moram distantes) e acabam por ser monótonos.

É a mais de 2 meses do Natal que se começam a decorar as ruas com as luzes festivas habituais. Os spots publicitários começam por esta altura, já a denunciar o extremo consumismo a que esta festa se permitiu. E este consumismo tão exagerado só me diz que há cada vez mais pessoas a quem o Natal diz pouco, ou não se inundavam os meios sociais com anúncios cujas palavras-chave são “natal” “preço” e “baixo”. Às páginas tantas, o público fica enjoado do vocabulário natalício e só quer esta época passe depressa.

Depois há a preocupação desmedida de cada familiar com as prendas que oferece, importando mais o seu valor comercial do que o simbolismo afectivo que as coisas possam ter. O Natal transformou-se, portanto, num jogo comercial no nível “Expert” no qual grande parte da população perde tempo, descurando o essencial: o convívio com a família. Acho que há a ideia generalizada de que o valor comercial dos presentes é proporcional ao apreço que se tem pelas pessoas a quem se lhos dá.

Por isso, o Natal só existe para os inocentes. Ou seja, para as crianças. Não têm o dinheiro e não sabem o que ele significa. Para elas só existe aquele mundo mágico dos presentes e do estar com os papás na noite mais especial do ano.

PS: Imagem roubada do blog do Pedro Timóteo, no qual vale a pena ler esta posta sobre o Natal. O Pedro Pereira tem não uma, mas duas postas sobre o Natal que também vale a pena ler.

PS 2: Não gostei nada desta posta, nota-se que hoje não estava inspirado. Desculpem, amigos. Há dias assim.

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  1. @pedrofrpereira
    on December 23rd, 2009

    o teu post está muito bom, apesar de tu nao o achares. partilhamos a mesma opiniao. no meu natal, tambem nao ha montes de familiares – lá está o problema da dispersão…mas o mais preocupante: nao ha espirito de iniciativa..
    o natal vai passar rápido, nao me preocupa muito..
    ai quando eramos crianças… *.*

  2. @cogamelo
    on December 24th, 2009

    Estou exactamente como tu, o Natal a mim não é pelas prendas, como há uns anos, mas sim por juntar a família. Cá em casa já estão os doces preparados, estou à espera que venha o resto da família para o jantar. Isso sim é o que gosto no Natal, ter a família toda junta. E então os doces… :3

    Isto é o que me faz ainda gostar mais ou menos no Natal, porque acho as prendas um ridículo. Vá, uma lembrança ou outra, desde que não seja em exagero.

  3. LVSITANO
    on December 25th, 2009

    @pedrofrpereira:

    Também reparo que não há grande espírito de iniciativa, por vezes. Espero que isso mude. :)
    Quando éramos crianças é que era bom.

    @cogamelo:

    Eu acho as prendas fixes desde que sejam, como disseste, ofertas simbólicas e úteis. Por exemplo, não considero uma caixa de chocolates a) simbólica (não tem simbolismo nenhum) nem b) útil (comem-se e acabou-se a prenda).

    Obrigado aos dois pelos comentários. :)

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