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PS: É notório que não escrevia há mesmo muito tempo. Este texto ficou um bocado desorganizado e mal pronominalizado. Isto com a prática vai ao sítio. :)

Bem, parece que estou de volta. Peço desculpa pela loooonga ausência, mas tive uma semana complicada de trabalho e, agora que as férias já estão à porta, estou mais liberto para voltar a escrever.

Marco este regresso por uma reflexão que me tem ocupado o espaço psicológico-sentimental durante a semana: estando nós apaixonados por alguma pessoa com a qual sabemos que existe uma probabilidade ínfima de vir a desenvolver um relacionamento amoroso, o que devemos desejar quanto à continuidade da paixão? Isto é, estando eu apaixonado por alguém com quem sei que nunca me vou envolver, devo querer esquecer essa pessoa (tentar minimizar o sofrimento) ou devo alimentar esse fogo que arde sem se ver e continuar a imaginar o quão feliz seria se realmente pudesse comungar com a pessoa que amo os mais profundos sentimentos de paixão?

Quem está apaixonado sabe que esta é uma das questões interiores mais pertinentes que surgem, e é por este motivo que a resposta à pergunta que inicia este artigo deve ser feita tendo em conta as duas perspectivas capitais que regulamentam toda a nossa vida: a racionalidade e a emocionalidade.

Racionalmente, a hipótese mais consistente seria aquela que defende que se devem tentar eliminar os sentimentos amorosos que se têm perante a pessoa que amamos, uma vez que, pela lógica, não é válido estar a consumir tempo e energia com algo inalcançável. E porque a razão se ocupa de motivos materiais e utilitaristas, analisaria sempre o tempo investido na compreensão da paixão como “tempo perdido”, que poderia ter sido empreendido a estudar/trabalhar como forma de conseguir manter o tempo rentável.

Mas, como sabemos, é impossível ter apenas em conta apenas a racionalidade ou apenas a emocionalidade. Embora completamente distintas, elas coabitam no mesmo corpo e reagem em conjunto. Isto quer dizer que, por mais que tentemos fazer com que a pessoa especial não desperte em nós aquele palpitar acelerado da corrente sanguínea, nunca conseguiremos ignorar por completo que estamos profundamente apaixonados. Resta saber se vale a pena manter uma luta racional ou não.

Emocionalmente, o nosso interior diz-nos e obriga-nos a sentir a paixão fisica e psicologicamente de uma forma muito intensa. Por um lado, as reacções bioquímicas que se dão no nosso organismo estimulam a produção de adrenalina, o que resulta num grande estado de ansiedade e instabilidade. Esta é a forma da emocionalidade nos provocar a expressão física da paixão. Como se não bastasse, a emocionalidade tem duas caracterísitica peculiar: é ilimitada e transcendental, o que faz com que, mesmo que a razão nos diga que não é possível estabelecer uma relação com quem amamos, a emocionalidade ocupa-se de nos fazer sentir uma enorme esperança. Uma esperança que não nos deixa desistir de continuar a alimentar esse amor generoso e sem fim.

Conclusão: Quer a racionalidade quer a emocionalidade são capitais na deliberação das nossas atitudes. Como podemos perceber ao longo do artigo, uma interfere sempre na outra, o que só nos deixa uma opção inteligente a tomar em caso de paixão intensa: consolidar os aspectos positivos de cada uma das vertentes essenciais.

Assim sendo, temos que devemos vivenciar a nossa paixão ao máximo. Se não houver mesmo possibilidade de vir a estabelecer uma relação com quem amamos, então continuemos a viver o amor até que ele se esgote, já que é uma sensação tão arrebatadora e espectacular que não merece ser desprezada. Complementando isso, devemos deixar a racionalidade intervir na altura de gerir as atitudes que vamos ter ao vivenciar a paixão. Ou seja, vivê-la ao máximo, mas não fazer apenas isso. Continuar a viver uma vida normal, dando prioridade aos objectivos imediatos que nos podem assegurar um futuro mais auspicioso, e equilibrando com isso a experiência amorosa da paixão.

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  1. André Coroado
    on March 20th, 2010

    Fantástico! Não podia estar mais de acordo com tudo aquilo que disseste aqui no teu artigo. Palavras para quê? Contemplaste todos os aspectos. Decididamente, estás de parabéns!

    E assim escrevi um comentário invulgarmente curto aqui no teu blog!

  2. @iijoao
    on March 20th, 2010

    Explicaste tudo de facto muito bem, só não concordo é com a tua conclusão/opinião. Não acho que devemos continuar a viver a paixão na ideia pois é" uma sensação tão arrebatadora e espectacular que não merece ser desprezada". Pois se continuarmos a alimentá-la na ideia, não daremos espaço para outra paixão, e claro, acabaremos por sofrer já que não podemos concretizar essa paixão com a dita pessoa.
    Portanto, caso esta reflexão tenha tido algum fundamento prático, acho que deviamos averiguar se é mesmo impossível concretizar esse amor, e caso não seja, move on, temos que dar prioridades ao resto e com o tempo, alguém aparecerá. ;)

    Foi uma boa reflexão. :)

  3. LVSITANO
    on March 22nd, 2010

    Não, João. Podes continuar a viver a paixão até que dure, e só entrará uma nova quando a primeira se esgotar. Isto é: o tempo tudo cura, e se uma paixão não for correspondida, ela vai desgastar-se e acabar por morrer, como acontece com muitas…

    De resto, concordo. Há que avançar, mesmo que às vezes pareça difícil.

    Obrigado pelo teu comentário!

  4. LVSITANO
    on March 22nd, 2010

    Já sabia que este comentário não podia ficar "só" assim. Sabes do que estou a falar. XD

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