Deus escreve-se assim
15/02/2010 | Category: Ateísmo | 8 Comments.
Sempre que vejo referências a entidades deísticas tomo atenção à forma como o escritor as realiza.
Se está escrito “Deus” pode significar duas coisas: a) a pessoa é crente/religiosa ou b) é ateia e está a referir-se a uma figura/personagem específica de alguma religião. Esta dicotomia pode ser solucionada pelo contexto da frase ou pelo resto da composição escrita, mas nem sempre assim acontece.
Pessoalmente, eu escrevo sempre “deus” com letra minúscula no início, pois não acredito na existência de “algo superior a nós”, omnisciente e omnipresente, que controla o que se passa no Universo. E se nego essa mesma existência, seria contraditório escrever sobre ela com letra maiúscula, pois esse tipo de identificação (Substantivos Próprios) está documentada na gramática portuguesa como sendo para escrever nomes de localizações geográficas, pessoas, entidades, etc., o que acaba por não ser o caso.
Faz todo o sentido que os crentes escrevam “Deus”, uma vez que se estão a referir ao que, para eles, é uma entidade. Claro que só é assim para quem realmente acredita, afinal são crenças subjectivas. Eu também tenho as minhas. O meu aquecedor antigo a óleo já está sem uma das 4 rodas, e eu chamo-lhe “O Grande Joaquim III”, a diferença é que esta é uma entidade que eu vejo e que, felizmente, sinto; ele aquece-me quando tenho frio.
Para agnósticos e ateus, prefiro ver deus escrito com a letra minúscula porque é mais uma forma de vincar o quão não-existente é essa ilusão. Só que, se analisarmos melhor, fica mais spicy ver “Deus” num texto ateísta, ao passo que se lá estivesse “deus”, podia pensar-se que não se estava a falar da mesma coisa.
Começo a perceber que escrever sobre deus envolve mais questões do que aquelas que se podem pensar inicialmente. Por exemplo, estar sempre a falar de algo que queremos dizer que não existe e sem saber que palavras usar; “sobre deus”, “ver deus”, “acreditar em deus” implicam que exista um deus. Especialmente “não acreditar em deus”, porque não posso acreditar ou não-acreditar numa coisa que nem sequer admito que exista. É estranho.
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Tags: assim, Ateísmo, ateu, como, deus, escreve, escrita, gramática, ou, se, semantica.
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Metalhead
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Ateu
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@faviouz
on February 16th, 2010Eu ainda não tive tempo de pensar na religião. Ando na catequese quase que por obrigação. Devia de haver um tipo de "catequese não religiosa", algo praticamente igual à catequese, mas sem as orações e as tretas religiosas. Uma comunidade de aprendizagem, digamos. Um sítio onde se possa discutir ideias e aprender com as sábias palavras dos mais velhos.
LVSITANO
on February 16th, 2010Deixa lá, amigo. Hás-de ter muito tempo.
Catequese não-religiosa não existe, mas existe a Filosofia. Não há orações e “tretas religiosas”, há sim frases sábias e muitas teorias inteligentes para ler, interpretar e, se for o caso, defender. Eu acho muito interessante. Aprender com as palavras sábias dos mais velhos é difícil hoje em dia, mas ainda consegues. A forma mais fácil é começar pelos teus avós. Os meus, felizmente, sabem muitos desses truques fantásticos que só gente com muitas décadas de vida em cima pode saber.
@iijoao
on February 20th, 2010Bom post, na medida que esta organizado, mas não pdoeria discordar mais de uma opinião tua(e ainda bem, assim há discussão).
Vamos lá, então. Primeiro, acredito em Deus, ou melhor num Deus, não sei se é o cristão, o islão, ou o raio que o parta. Como disse uma catequista, toda a gente acredita num Deus, chama-lhe é diferentes nomes, seja Deus, Jesus, Alá, Zé. Não se tem de acreditar no que diz a Bíblia, nem que Deus criou Adão e Eva. Cada um acredita, como quer. Para mim, para existir o mundo, tem de existir um criador.
Depois, há os ditos "ateus" que não acreditam em Deus, e esses estão a perder e muito. Não por não acreditarem em Deus propriamente, mas por não tirarem proveito do que a religião, particularmente a catequese, tem para oferecer. Por exemplo, eu não quero saber quem foi o filho de Adão, nem ir à missa ouvir os cânticos e rezar, mas sim aprender com alguns textos e discussões bem maduras que tomam lugar na catequese.
@iijoao
on February 20th, 2010Se calhar tenho sorte, pelos catequistas que tenho, dái que eu e um grande amigo meu continuemos a ir.
Por último, cada um é livre de acreditar como não, mas uma coisa têm de fazer que é Respeitar. Não escrver Deus e escrever deus não é respeitar. Eu também não acredito no Benfica, e escrevo Benfica. Eu também não gostom do Manel e escrevo Manel em vez de manel. Percebem? Depois há o cúmulo, que é chamar Fillho da Puta a Deus como vez Saramago, e só por isso nunca irei ler um livro dele.
@faviouz
on February 20th, 2010É exactamente isso que gosto na catequese. Rezar e ir à missa é uma treta, mas aprende-se tanto com os mais velhos e com as opiniões dos outros. Agora, mais do que nunca, temos tido uns debates muito interessantes. Se alguma vez pensar em desistir da catequese, provavelmente não o farei por causa disto mesmo.
LVSITANO
on February 21st, 2010Não sei o que se dá na vossa catequese, mas a catequese está ligada à Igreja Católica, facto pelo qual a repugno logo desde aí. Toda a gente acredita num deus é que é mentira. Toda a gente tem, isso sim, um nível metafísico transcendente que consegue sentir. As pessoas chamam a isso Deus e acham que conseguem encontrar as respostas às perguntas interiores através da Igreja. Nada mais errado se pode pensar, pois as respostas a essas perguntas são desvendadas durante a vida, por nós próprios, e esse é um dos motivos pelos quais a vida é tão bela.
Um dos meus maiores ganhos de sempre foi ter mandado a religião ir dar uma volta. Porque percebi que a fé organizada é um erro. Se ainda muitas pessoas não chegaram a essa conclusão, tenho pena, mas será uma das grandes conclusões que terão na vida. A religião ou a catequese não têm nada para oferecer. "Têm" para trocar. As pessoas sacrificam-se por terem medo de não ser salvas. Se isso é uma "troca" justa…
A Filosofia é que tem tudo para oferecer. E essa bela arte do pensamento, sempre aberta à evolução, não é como a religião, um antro de dogmas que estagnou no tempo há mais de 2000 anos atrás.
LVSITANO
on February 21st, 2010Também não tenho problemas em insultar deus, ou Deus, se preferires. Ele até hoje nunca reclamou pelas minhas más acções, e acredita que já fiz bem piores do que chamar nomes a uma divindade…
@iijoao
on February 27th, 2010Também escreves Benfica, Lisboa, e não são pessoas. São entidades. Ora, eu, repito, posso odiar o Benfica, não acreditar nele, mas escrevo Benfica. Concedo-lhe dignidade.
E acho piada quando as pessoas insultam Deus, quando nem acreditam na sua existência. É algo de muito estúpido, que me faz rir, sinceramente. Se nao acreditam, nem deveriam falar nele, ou sentem-se bem a falar do(que para vocês é) do nada?