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Foi há 6 dias que no Haiti se deu uma das maiores tragédias geológicas de sempre: um sismo de magnitude 7.0 assolou o país, cujo epicentro perto da capital (Port-Au-Prince) destruiu cerca de 80% da cidade e atirou para as ruas 3 milhões de pessoas, agora desalojadas.

Não vou mostrar imagens da destruição causada pelo sismo nem relatar mais factos, os leitores já não devem conseguir aguentar ouvir mais falar sobre isso.

Nesta posta vou dar a minha opinião curta sobre duas coisas: a revolta no Haiti e a ajuda humanitária.

Se por um lado podia compreender o desespero dos habitantes afectados no Haiti, por outro não aceito que se revoltem contra as missões humanitárias lá instaladas, muito menos bloqueando o acesso às populações com cadáveres de vítimas.

Parece que foi isso que aconteceu e continua a suceder um pouco por toda a cidade. A ajuda humanitária é feita por bem e com o intuito de auxiliar todos os afectados por um desastre que, afinal de contas, não é da culpa de ninguém nem podia ser evitado. Eu calculo o que será estar muito tempo sem beber nem comer, mas daí até matar para conseguir a pouca ajuda que é recebida, vai alguma distância. Já se reportam mortes de voluntários internacionais provocadas pelo caos à sua volta enquanto distribuíam bens essenciais.

A ajuda humanitária não é obrigatória, pelo que me parece ingrato que os haitianos se revoltem contra as únicas pessoas que os podem ajudar neste momento.

Quanto às doações, é com pena que verifico as constantes notícias que relatam que o fluxo de doações é enorme, mas a resposta real ao problema é fraca. A comunicação social continua a cumprir a sua pseudo-função de informar (a verdadeira função é moldar a opinião pública de acordo com o que mais convém no momento) e motiva diariamente várias doações monetárias para fundos internacionais com suposta destinação ao Haiti.

O que eu acho é que muita gente vai enriquecer à conta do desastre naquele país americano. A TMN e PT abriram uma linha telefónica cujo preço da chamada, 0,60 € + IVA, reverterá a favor das operações de ajuda no Haiti. Não pondo em causa as motivações reais da PT, e jogando apenas com o facto de ser uma empresa em que não se pode confiar, diria que apenas uns 0,50 € daquele valor revertem mesmo para as missões no Haiti.

Os levantamentos de fundos ocorrem um pouco por todo o globo e, infelizmente, não consigo acreditar que quem gere esses fundos não arranje um belo «tacho». Quanto a mim, só farei qualquer doação quando tiver a certeza que o dinheiro chega ao Haiti e, depois de chegado, é feito um excelente uso do mesmo para proporcionar alguma qualidade de vida aos sobreviventes.

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  1. @faviouz
    on January 18th, 2010

    Podes sempre fazer uma pequena transferência bancária. Já vi algures uns tweets sobre isso.
    Mas é realmente desumano ainda tentar ganhar dinheiro à custa da tradégia e sofrimento destas pessoas.

    "A ajuda humanitária não é obrigatória, pelo que me parece ingrato que os haitianos se revoltem contra as únicas pessoas que os podem ajudar neste momento."
    É triste, mas compreensível. No meio de tanto sofrimento e fome, é uma situação complicada. Nesta altura do campeonato é usada a "lei do mais forte". Desenmerde-se quem poder, como dizia a minha avó.

  2. André Coroado
    on January 19th, 2010

    Uma abordagem diferente aos problemas criados pelo sismo no Haiti. Analisaste questões pertinentes, que merecem um comentário da minha parte.

    Quanto às revoltas da população contra a ajuda humanitária, é de facto lamentável que já tenham falecido pessoas inocentes, sem qualquer relação com o sucedido, e que estavam no Haiti com o nobre objectivo de ajudar. As minhas condolências para estes heróis, que infeliz e desnecessariamente acabaram por dar a vida por uma boa causa. Contudo, temos de perceber que, no Haiti, a esmagadora maioria das pessoas não têm acesso à educação, o que estará na origem destes comportamentos selvagens. Como diz o faviouz, a "lei do mais forte" entra em vigor, e o homem regressa aos seus tempos simiescos.

    A temática das doações costuma estar entre os assuntos mais discutidos quando se fala de solidariedade social. É claro que quando as grandes empresas se envolvem neste tipo de campanhas, existe sempre um interesse financeiro pessoal, oculto sob o disfarce conspícuo da ajuda humanitária.

    O quê? Acreditas mesmo que a TMN e a PT apenas recebem 10 cêntimos mais os impostos? Não será mais?

    Enfim, juntando as duas vias de análise da questão, penso que em princípio não devermos doar qualquer quantia, pelos menos nas circunstâncias actuais: uma população local que perde a razão ao revoltar-se contra quem quer ajudar e uma recolha de fundos de carácter duvidoso, em que o destino final das doações permanece obscuro…

  3. LVSITANO
    on January 19th, 2010

    Sim… As novas imagens que todos os dias nos chegam são realmente desoladoras. Tenho é pena da hipocrisia a que muitas pessoas se dão; enquanto o Hati já era um dos países mais pobres do mundo, ninguém se importou. Só agora que estão mesmo na miséria é que realmente há esta vontade de ajudar… Mas bem, melhor assim!

    Espero que a situação melhore.

  4. LVSITANO
    on January 19th, 2010

    Bem, presumivelmente os impostos vão para o Estado (até a fazer doações humanitárias eles têm que ficar com 20% do dinheiro gasto…). Quanto ao que a PT recebe, não quero especular sobre isso. Apenas acho que recebe, não faço ideia de quanto…

    Mas como bem disseste, acho que quaisquer doações por agora já começam a ser arriscadas. Até de ponto vale a pena investir nesta ajuda se não temos a plena certeza de que ela lá chega..?

  5. @cogamelo
    on January 19th, 2010

    Que tragédia, imagino o que aquelas pessoas estão a passar. Mas também, acontece tanta coisa má por esse mundo fora..

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